União de esforços – artigo de Marcello Richa

Por meio do Instituto Teotônio Vilela do Paraná (ITV-PR), tive a oportunidade de percorrer todo o estado, conhecer diferentes realidades e contribuir na formulação de planos de gestão municipais. Uma das coisas mais importantes desse trabalho foi verificar boas práticas, assim como ações que não obtiveram tanto êxito, que reforçaram muito o conceito de que políticas públicas não podem ser executadas de maneira isolada.

União de esforços – artigo de Marcello Richa

Quando o prefeito de Curitiba, Rafael Greca, me convidou para assumir a Secretaria Municipal do Esporte, Lazer e Juventude, busquei essas experiências para realizar um trabalho articulado entre diferentes pastas, iniciativa privada e terceiro setor. Inicialmente a atenção foi direcionada a própria estrutura pública e formamos uma parceria com a Secretaria Municipal da Educação para a criação do projeto Escola+Esporte=10 (EE10).

Em conjunto construímos uma metodologia para o desenvolvimento de atividades esportivas para crianças de 7 a 17 anos, bem como passamos a promover as atividades nos espaços da secretaria, entidades e dentro das escolas municipais. Isso descentralizou o serviço e permitiu que, em apenas um ano, ampliássemos as vagas em 62%, beneficiando mais de 10 mil jovens.

Ações similares foram realizadas com a Fundação Cultural para o projeto Talento Jovem; Instituto Municipal de Turismo para o programa Passos na História; Defesa Social com os passeios ciclísticos noturnos do Pedala Curitiba, entre outros. Apesar disso, ainda faltava reconquistar a confiança da iniciativa privada em ações municipais, um caminho que todas as prefeituras precisam dar atenção.

O objetivo aqui não é repassar responsabilidade, mas promover projetos que sejam atraentes para outros segmentos investirem e vincularem suas imagens. A primeira grande iniciativa nesse sentido foi a implantação das estações de ginástica e alongamento em aço inox, realizado em conjunto com o Banco Santander.

O projeto permitiu que a população ganhasse novos equipamentos para a prática de atividades físicas e saudáveis enquanto o Santander se encarregou de custear a implantação e manutenção em troca de espaços publicitários nas unidades, que gerou exposição institucional e economizou recursos ao município.

Na sequência vieram chamamentos públicos para patrocínio de corridas e convênios com entidades, porém o maior destaque deste trabalho em conjunto com a iniciativa privada veio com 2ª Virada Esportiva de Curitiba. Após a realização do projeto piloto em 2017, que contou com a participação de 35 mil pessoas em 100 atividades, percebemos o potencial que o evento possuía e buscamos atrair novos parceiros.

Por meio de chamamento público, a RIC TV e a Rádio Jovem Pan entraram junto com a Prefeitura como realizadores e tiveram um papel fundamental na divulgação do evento. Como patrocinadores, a UniDomBosco e H18 Comunicação, bem como empresas que contribuíram para ações específicas como a Anjuss nos esportes radicais, ajudaram na estruturação. Essas parcerias permitiram que a 2ª Virada Esportiva contasse com 244 atividades e 64.900 participações, um aumento significativo em relação ao ano anterior.

A união de esforços com a iniciativa privada e entidades é benéfica para todos os envolvidos e precisa ser cada vez mais estimulada para o desenvolvimento de políticas públicas municipais. As empresas fortalecem suas marcas, as prefeituras recebem suporte estrutural e condições de ofertar atividades para mais pessoas enquanto economizam recursos e a população pode usufruir de programas diferentes que irão resultar em melhorias nos índices do município e na qualidade de vida da comunidade.

Marcello Richa é presidente do Instituto Teotônio Vilela do Paraná (ITV-PR)