Cidadania na veia – artigo de Marcello Richa

A chegada do frio e do inverno costuma trazer um grande problema para os bancos de sangue de todo país, já que nessa época o número de doações diminui até 40%. Apesar dos avanços tecnológicos na área da saúde, ainda não possuímos um substituto para o sangue, o que torna a doação essencial para a preservação da vida.

Cidadania na veia – artigo de Marcello Richa

Existem inúmeros casos em que é necessária a aplicação de transfusão de sangue, desde problemas como anemia e doenças crônicas até situações de cirurgia ou emergências. A realidade é que qualquer um pode precisar dos serviços dos hemocentros e para isso é preciso contribuir para que eles se mantenham sempre com os estoques na quantidade ideal.

Apesar da importância do tema, o Brasil ainda não possui uma cultura enraizada para doação de sangue, razão pela qual essa é uma bandeira que precisa ser sempre fortalecida e relembrada. Segundo dados mais recentes do Ministério da Saúde, apenas 1,8% da população brasileira doa sangue com regularidade, enquanto o número ideal indicado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) é de 3%.

Para se ter uma ideia do desafio nessa área, dados do Ministério da Saúde indicam que o Brasil precisa de 5.500 bolsas de sangue diariamente para atender a demanda. Isso demonstra a necessidade de ampliar ações diferenciadas que incluam a iniciativa privada, poder público, sociedade civil e terceiro setor para que atuem juntos com as campanhas institucionais, estimulando a doação e disseminação de informação.

Uma boa iniciativa nesse sentido foi promovida pelo Facebook, que lançou uma ferramenta para conectar hemocentros com possíveis doadores cadastrados, que são notificados quando há necessidade de aumentar os estoques. Outro projeto de destaque é o “Doe Sangue pelo Esporte“, realizado pela Secretaria Municipal do Esporte, Lazer e Juventude de Curitiba e que envolve atletas beneficiários pela Lei de Incentivo ao Esporte como embaixadores e conta também com o apoio de clubes, federações e entidades da área.

São ações que envolvem diferentes setores, ampliando a capilaridade e alcance das campanhas de doação de sangue. Além desse trabalho intersetorial, também é preciso maior atenção com a questão estrutural, com implantação de unidades de coleta móveis e de hemocentros descentralizados, que facilitariam o acesso nas comunidades.

A doação de sangue é um exemplo de solidariedade e respeito ao próximo que precisa ser constantemente incentivada, o que irá permitir aos hemocentros condições de oferecer atendimento para todos que precisarem. Um ato de cidadania simples, rápido e seguro capaz de salvar muitas vidas e mudar a realidade de uma sociedade.

Marcello Richa é presidente do Instituto Teotônio Vilela do Paraná (ITV-PR)