PERIGO: NÃO DESCONTINUE UMA MEDICAÇÃO POR CONTA PRÓPRIA

Interromper um tratamento médico, sem acompanhamento profissional, pode ser mortal.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), menos de 60% dos pacientes com diabetes e menos de 40% dos hipertensos tomam a medicação prescrita de forma contínua e correta. No geral, em relação a doenças crônicas, aproximadamente 50% das pessoas fazem o tratamento correto. A hipertensão arterial, por exemplo, se não houver um tratamento contínuo, pode desencadear infarto ou acidente vascular cerebral (AVC).

Doenças mentais também precisam de um acompanhamento rígido. De acordo com orientações do Ministério da Saúde, a depressão tende a ser crônica e recorrente quando não tratada da forma correta. Ainda segundo o órgão federal, os sinais desaparecem em mais de 90% dos pacientes que fazem o tratamento completo com antidepressivos. A interrupção por conta própria ou o uso inadequado da medicação pode aumentar significativamente o risco da doença se tornar crônica.

Para a médica psiquiatra Sarah Zanghellini Rückl, efeitos colaterais são alguns dos motivos pelos quais as pessoas abandonam o tratamento. “Um dos motivos pelos quais as pessoas param de tomar as medicações psiquiátricas é porque estas medicações têm efeitos colaterais, que podem ser desde um desconforto intestinal, dores de cabeça, até sonolência e irritabilidade. Por outro lado, estes efeitos colaterais podem ser manejados. Trocando o horário da medicação ou fracionando as doses, é possível amenizar estes efeitos”, explica ela.

Um grande problema em interromper o tratamento sem orientação médica é o que a medicina chama de Síndrome de Descontinuação, ou Síndrome de Retirada dos Medicamentos. É como se o corpo estivesse acostumado com estes medicamentos. “Quando eles são retirados de forma abrupta, geralmente causam sintomas desagradáveis”, explica a médica psiquiatra. “Outro problema grave é quando o paciente percebe alguma melhora no seu quadro clínico e resolve interromper o tratamento por conta própria. Normalmente, para que um tratamento psiquiátrico tenha efeito definitivo, demora entre oito e doze meses, pelo menos. Só depois deste período é que o médico irá retirar a medicação. Entretanto, é comum o paciente sentir-se melhor após um período de 30 dias e por isso suspenda os remédios. É provável que ele tenha uma recaída e o que observamos, na prática clínica, é que o indivíduo passa a não ter a mesma resposta que teve no tratamento inicial.”

A recomendação que a profissional faz, quando existe a vontade do paciente em não tomar mais os medicamentos prescritos, é que esta interrupção seja orientada de perto por um médico competente, que irá acompanhar todo o processo.

O perigo para as crianças

Em relação a doenças que atingem as crianças, o perigo também é grande. Na pediatria, esta situação acontece especialmente com antibióticos. Este tipo de medicamento deve ser usado por um período pré-determinado, para tratar 100% a infecção. “Em aproximadamente três dias os sintomas desaparecem, e isso deve mesmo acontecer. Mas se o tratamento for suspenso nesta fase, as bactérias que ainda não morreram voltarão a se replicar e, em poucos dias, a infecção voltará. Existe o risco destas bactérias já estarem resistentes ao antibiótico usado”, explica a pediatra Lorena Costa Brzezinski.

A pediatra lembra que, para outras medicações de uso prolongado, a situação é parecida. “Acontece de forma semelhante. Se a medicação é interrompida antes do ideal, existem maiores chances de que os sintomas voltem.” Ela reforça que em casos de doenças crônicas é fundamental que a criança seja reavaliada de tempos em tempos. “Toda vez que a criança retorna ao consultório, ela é reavaliada para ver a real necessidade de manter a medicação contínua. Sem essa avaliação, não saberemos se há necessidade de suspensão ou troca da medicação.”

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