UFPR participa de projeto que busca memórias cotidianas da pandemia

Cáspula do tempo com registros em áudio será aberta somente em 2023

Registrar a cotidianidade das pessoas comuns numa cápsula de memória, constituída por um recurso que tem sido cada vez mais corriqueiro: os áudios de Whats App. O objetivo do projeto “Arquipélago de memórias: pandemia e vida cotidiana de professores/profissionais da educação, estudantes e pais/mães de alunos (famílias)” é trabalhar com um acervo de vivências e experiências de homens, mulheres e crianças do país todo. A UFPR é uma das instituições envolvidas na iniciativa, capitaneada pela Universidade Federal de Goiás.

As professoras Gizele de Souza e Andrea Bezerra e a pesquisadora Franciele Ferreira França, do Núcleo de Estudos e Pesquisa em Infância e Educação Infantil, estão envolvidas com o desafio. O procedimento é simples: para estar na cápsula, basta acessar um dos links disponíveis no site do projeto e enviar seu relato, em áudio.

A ideia, segunda Gizele, é obter colaboração do Norte ao Sul, para expressar a diversidade do país e trazer de forma ampla a dimensão do cotidiano de pessoas comuns. Ela conta que a rede surgiu a partir da professora da UFG, Valdeniza Barra. “Essa colaboração entre instituições parceiras abre uma perspectiva democrática e horizontal de parcerias”, explica. Em 2023, quando a cápsula for finalmente aberta, as universidades que cooperam poderão utilizar os depoimentos como base para diferentes pesquisas.

De acordo com a professora, a cápsula do tempo também cumpre a função de um legado para a vida futura, produzindo memórias sobre os impactos que a pandemia trouxe e traz para a vida ordinária, para o cotidiano. “Muitas dessas pessoas poderiam estar invisíveis”, destaca. “As pessoas que estarão ali representadas são aquelas com as quais convivemos cotidianamente”.
O acervo digital de relatos orais não precisa necessariamente ter relação com a vida escolar, embora a plataforma se divida em depoimentos de pais, alunos e professores. A ênfase no aspecto educacional, de acordo com ela, ocorre por ser este um fator que se entrelaça com a vida cotidiana.

“Material na virtualidade”

A professora Andrea Bezerra, que também faz parte dos grupos OCUPP e do GPHIE, comenta que a cápsula é simbólica, mas é “material na sua virtualidade”, já que traz depoimentos coletados a partir de uma ferramenta muito utilizada na comunicação entre as famílias e dessas com as escolas: o Whats App.

Os participantes podem enviar quantos depoimentos quiserem, de até cinco minutos, contando suas vivências e experiências durante a pandemia. A cada período, serão feitos levantamentos sobre o número de áudios coletados e suas respectivas regiões. Depois de aberta a cápsula, será mantido o anonimato daqueles que enviaram o seu material.

Gizele destaca que o projeto não trabalha com hipóteses. A ideia é justamente deixar com que os relatos falem por sí, não para um ouvinte, mas para uma cápsula. A franqueza dos depoimentos das crianças, por exemplo, é um aspecto que poderá ser encontrado. “É um projeto de coleta, de recolha de fontes que já tem uma completude em sí”, indica.

Os desafios futuros também são o pensar e produzir ciência a partir da fala e da experiência das pessoas comuns. “A atividade histórica não tem a função de resolução imediata das coisas da vida”, sinaliza Andrea, que também reforça a importância de se produzir possibilidades para tratar da memória coletiva da pandemia. “A finalidade é constituir um acervo para que se compreenda o que vivemos nesse momento, depois de um adormecimento”, afirma.

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