Bares e restaurantes estão literalmente sem luz no fim do túnel e ‘nome sujo’ na praça

Endividamento supera 90% do setor; Expectativa é de que apenas em 2023 haja uma normalização das atividades

O atraso no pagamento de dívidas pelo fornecimento de água, luz e gás, em função dos mais de 16 meses fechados devido a pandemia do coronavírus (covid-19), está penalizando duplamente os empreendedores do setor de gastronomia e entretenimento do Paraná. Com o nome ‘sujo na praça’, eles estão literalmente sem uma luz no fim do túnel para refinanciar dívidas e reabrir os estabelecimentos.

Diante das dificuldades, a Associação Brasileira de Bares e Casas Noturnas (Abrabar) fez um apelo ao governador Ratinho Junior para intervir junto as empresas estatais fornecedoras dos serviços básicos e impedir o protesto em cartórios. A intenção é garantir condições mais favoráveis para o pagamento de contas em atraso, informa Simoni Saris, em reportagem na Folha de Londrina desta sexta-feira (23).

A gastronomia e entretenimento é um dos setores mais afetados pela crise sanitária decorrente da pandemia e acumula resultados negativosa partir de março do ano passado. As medidas restritivas adotadas para conter a propagação do coronavírus causaram a falência de 30% dos restaurantes, 40% dos bares, 75% das casas noturnas e 80% das empresas de eventos no Paraná.

Na capital e nas cidades turísticas, esses estabelecimentos foram ainda mais afetados. O índice de endividamento do setor supera os 90% e a expectativa é de que apenas em 2023 haja uma retomada e normalização dessas atividades.

Estrago
A Abrabar calcula que um terço de todos os estabelecimentos do setor no Estado fechou as portas desde o início da pandemia. Com o protesto das dívidas, disse o presidente Fábio Aguayo, a preocupação dos empresários é com o agravamento da situação financeira, já que o nome sujo resultaria em aumento das restrições, como uma maior dificuldade na captação de crédito, por exemplo.

Eles também pedem a redução dos juros nas negociações das contas em atraso junto a empresas como Sanepar, Copel e Compagás. “No ano passado, nos movimentamos nesse sentido e tivemos a garantia de que não ocorreriam os protestos. Entramos em contato com as empresas e elas recuaram, mas agora estão querendo protestar as dívidas de novo”.

Desrespeito
Aguayo acusa ainda o desrespeito, pelas empresas, aos termos da lei estadual 20187/2020 que proíbe as concessionárias de serviço público de interromperem o fornecimento dos serviços de luz, água e gás para alguns públicos, entre eles, micro e pequenos empresários e MEI.

“Isso não está sendo cumprido. Tenho relato de um dono de restaurante que teve a luz cortada na hora do funcionamento. A Copel é desorganizada nessa questão. Por isso as entidades estão entrando com ações por danos morais, perdas e danos e reparações”.

Sem a suspensão dos protestos dos débitos em cartório, destacou Aguayo, muitos empresários terão de esperar cinco anos para ter o nome excluído do SPC (Serviço de Proteção ao Crédito), prazo determinado em lei. “A maior consequência da pandemia não é a perda do patrimônio. Sem nome limpo, os empresários não conseguem nada.”

Contraditório
A Sanepar e a Copel informaram que estão cumprindo a legislação de não interromper o fornecimento dos serviços ou protestando dívidas. Na prática, a realidade é outra para quem gvera empregos. A Compagás não se manifestou até o fechamento da reportagem do jornal.

Em março deste ano, o deputado Luiz Fernando Guerra (PSL) protocolou documento na Assembleia Legislativa pedindo que sejam abrandados ou suspensos os pagamentos das tarifas de consumo de água e esgoto e de energia elétrica de bares e restaurantes enquanto durar a pandemia. Até o momento não avançou o pedido.

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